terça-feira, 16 de Março de 2010

Ozonoterapia pode ajudar nas doenças da coluna

Terapêutica capaz de combater a inflamação em muitas patologias


Algumas indicações terapêuticas da ozonoterapia fazem parte de um vasto mundo ainda por descobrir. Mas são muitas as indicações já reveladas, destacando-se o combate às inflamações que tanto agravam diversas doenças.

A utilização do ozono no tratamento de várias patologias nasceu na Alemanha e remonta à primeira metade do século XX. No entanto, em Portugal, a ozonoterapia é ainda uma técnica de tratamento que a maioria das pessoas desconhece, pois só é aplicada desde o início de 2005.

Mas o que é, então, a ozonoterapia? É a utilização do ozono – uma molécula com três átomos de oxigénio – como técnica de tratamento minimamente invasiva em diversas doenças.

«O ozono é um oxidante potente que, ao superoxidar os tecidos, combate a inflamação, sendo assim um regularizador dos processos inflamatórios, de uma série de processos metabólicos e, graças ao poder oxidativo do oxigénio, acaba por combater alguns microrganismos, como bactérias, fungos e alguns vírus», explica o Dr. Marques Baptista, neurocirurgião.

Nos últimos anos, a ozonoterapia tem sido muito utilizada no tratamento de patologias que afectam a coluna vertebral, mas trata-se de uma terapêutica indicada para muitas doenças que tenham um componente inflamatório marcado, ou que provoquem um défice de oxigenação tecidular (falta de oxigénio nos tecidos associada a irregularidades na circulação sanguínea).

«A ozonoterapia tem sido utilizada com sucesso nas insuficiências venosas e nas úlceras varicosas dos membros inferiores, na isquemia dos membros, sendo o ozono aplicado quer localmente, quer por via endovenosa (injecção ou transfusão) com uma acentuada melhoria dessas patologias», revela este especialista, que acrescenta:
«Para além das doenças da coluna, a ozonoterapia tem sido utilizada em Dermatologia, em insuficiências vasculares, nomeadamente dos membros inferiores, em alterações reumáticas difusas e patologias infecciosas crónicas. Em diversas patologias inflamatórias, agudas ou crónicas, a capacidade oxidativa do ozono pode funcionar como um eficaz método de tratamento.»

A principal vantagem da ozonoterapia reside no facto de ser um tratamento percutâneo (não é necessário fazer qualquer incisão). Assim, não há violação das estruturas anatómicas, pois não é um método destrutivo.

Como assegura Marques Baptista, «o ozono actua sobre os mecanismos inflamatórios e, ao reduzir a inflamação, não destrói nada. Somente reduz o volume à custa do controlo da reacção inflamatória».

«Espectacular» no tratamento das hérnias discais

Ao nível da coluna, diz o mesmo médico, «o ozono pode combater as doenças degenerativas, como as artroses e artrites, mas é no tratamento da hérnia discal que a ozonoterapia é mais espectacular. Há doentes que se sentem muito bem pouco tempo após o tratamento».

Uma hérnia discal ocorre quando há ruptura do disco intervertebral e deslocação de tecido do seu interior para fora do compartimento natural e eventual compressão nervosa. Assim, promove-se ainda a libertação de uma série de substâncias – as proteínas de fase aguda – que desencadeiam mecanismos inflamatórios, formação de tecido inflamatório e ainda maior compressão do nervo.

As consequências da ruptura do disco são diversas: edema (inchaço ou aumento do volume dos tecidos), chamada de uma série de células a esse local, etc. Isto porque, na zona que circunda o disco, surge uma inflamação que origina volume acrescentado. «O ozono pode combater rapidamente a inflamação e diminuir este volume, contribuindo assim para reduzir a pressão sobre o nervo», sustenta o neurocirurgião.

A maioria das hérnias discais regride espontaneamente. Como afirma este especialista, «nove em cada 10 resolvem-se sem que nada de especial seja necessário». Mas cerca de 10% das hérnias não se resolvem sem tratamento e, nesses casos, em termos maioritários, os doentes são enviados para fisioterapia, numa primeira fase e, caso não melhorem, para cirurgia. Mas em casos seleccionados existem outras opções terapêuticas, entre as quais a ozonoterapia.

No tratamento das hérnias discais com a ozonoterapia, «o canal raquidiano nem sequer é abordado, sendo o ozono injectado directamente e sob pressão no espaço discal, alargando-o e podendo, assim, levar ao desaparecimento da hérnia». Por outro lado, o efeito anti-inflamatório do ozono faz com que, na zona à volta da hérnia, haja diminuição da reacção inflamatória e a dor desapareça.

Como consequência, constata Marques Baptista, «os sintomas vão diminuindo e, em muitos casos, fazemos exames algum tempo depois do tratamento com ozono e a hérnia desapareceu totalmente».

«Resolver uma hérnia discal com a ozonoterapia é o ideal», acredita este neurocirurgião, «pois, sendo uma técnica de tratamento não invasiva, não obriga à abordagem da cirurgia clássica, ao internamento, e várias outras limitações no dia-a-dia do doente».

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